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Extensão

O papel social das universidades públicas brasileiras é um conceito recente, compondo o tripé “ensino, pesquisa e extensão universitária”. A extensão envolve o desenvolvimento de atividades educativas, culturais e científicas junto à comunidade externa, viabilizando uma relação transformadora entre a universidade e a sociedade.

A UFSCar vem estimulando e apoiando a promoção de atividades, projetos e programas de extensão universitária. Para intensificar a integração com a comunidade e a realização de trabalhos de cunho social, em 1996 implantou simultaneamente seis Núcleos de Extensão que têm como objetivo principal atender às demandas da comunidade e contribuir para a resolução de problemas de diversos segmentos sociais. A implantação simultânea desses Núcleos possibilitou a troca de experiências e a formulação de projetos multi e interdisciplinares, em função das intersecções de suas respectivas áreas de atuação. A partir da participação de docentes nestes núcleos de extensão é que foi pensado um projeto de extensão para a criação de pólo incubador de Cooperativas Populares na UFSCar” que, em 2000, culminou no Programa de Extensão “Incubadora Regional de Cooperativas Populares da UFSCar – INCOOP /UFSCar”.

Frase Florestan Fernandes

A INCOOP, criada ao final da década de 1990 na UFSCar, configura-se como uma instância de atuação multidisciplinar, voltada à produção de conhecimento simultaneamente à intervenção, visando à formação de empreendimentos econômicos autogestionários como oportunidade de geração de trabalho e renda para populações excluídas e consolidação de princípios solidários e cooperativistas na sociedade.

O papel das Incubadoras Tecnológicas de Cooperativas Populares (ITCPs)

Em meio ao debate sobre o papel da Universidade Pública se insere também o papel da Universidade na consolidação da Economia Solidária que tem atuado por meio de um ator importante: as Incubadoras Tecnológicas de Cooperativas Populares (ITCPs), que surgiram em meados da década de 1990, com o objetivo de assessorar grupos para formação de cooperativas - preferencialmente compostas por pessoas oriundas de setores socialmente excluídos, simultaneamente à produção de conhecimento e formação de estudantes e profissionais.

De acordo com Dubeux (2007), a extensão realizada pelas ITCPs é diferenciada sob vários aspectos, como a duração e continuidade no acompanhamento dos grupos e o caráter inovador de produção de tecnologias mais apropriadas para classes sociais mais desfavorecidas. As ITCPs inauguraram uma nova época na universidade brasileira como importante programa de extensão universitária entrelaçado com atividades de ensino e pesquisa.

Durante cerca de 10 anos, as ITCPs aperfeiçoaram seus chamados métodos de incubação, contribuindo para consolidação dos EES, para a produção de conhecimento na área e para educação dos diversos atores envolvidos. Entretanto, mais importante é o fato das incubadoras terem ampliado seu escopo de atuação, deixando de atuar somente no campo do cooperativismo e passando a discutir a economia solidária mais amplamente. A partir de então, as ITCPs passaram a incubar redes, grupos informais, associações etc., a adotar uma perspectiva multidimensional e incorporar a perspectiva do desenvolvimento territorial. Os obstáculos que se podem destacar na atuação das incubadoras são semelhantes aos enfrentados pela extensão universitária: a conceituação de suas atividades e a institucionalização destas unidades (DUBEUX, 2007).

ITCPs

O NuMI-EcoSol é uma destas ITCPs, e tem contribuído, neste processo de intervenção na realidade, com sua experiência de atuação em EcoSol como estratégia de Desenvolvimento Territorial, na perspectiva de proposição de Políticas Públicas e operacionalização do princípio da indissociabilidade entre Pesquisa, Ensino e Extensão.

Atividades de extensão do NuMI-EcoSol

A atuação do NuMI em São Carlos e em municípios de sua região, a partir de demandas de incubação, foi a estratégia principal até 2007, a partir desse ano a ex-INCOOP UFSCar estabeleceu como foco preferencial de suas ações dois bairros localizados na região sul do município, identificados como Jardim Gonzaga e Jardim Monte Carlo e caracterizados como áreas de alta vulnerabilidade social. O foco de ações nesse bairro era justificado pelo bairro ser considerado um bolsão de pobreza, conforme dados oriundos de um projeto mantido por docentes da UFSCar, o “Mapa da exclusão social em São Carlos” (MANCUSO et al., 1997). Ainda que desde 1998 já existissem ações da INCOOP UFSCar para a formação de EES nesses bairros foi a partir de 2007 que a estratégia de incubação isolada de cada grupo transformou-se na tentativa de formação de redes e cadeias produtivas como uma das formas de desenvolvimento territorial por meio da Economia Solidária.

Assim, a população foco do NuMI-EcoSol é, de forma geral, composta por pessoas em situação de vulnerabilidade social, com limitações de acesso a direitos de cidadania em função de quaisquer condições, sejam elas financeiras, étnicas, de gênero, de saúde etc. Além de populações de baixa renda, constituem exemplos particulares de pessoas atendidas pelas ações do NuMI-EcoSol usuários de serviços de saúde mental, egressos do sistema prisional, pessoas com históricos de conflitos familiares, jovens em conflito com a lei, usuários de substâncias psicoativas e pessoas em situação de rua. Embora seja dada prioridade, nas ações do NuMI, para estas populações usualmente denominadas excluídas, empreendimentos e iniciativas de economia solidária, bem como outros atores que possam, de alguma forma, colaborar na ampliação e consolidação da Economia Solidária, podem se beneficiar de ações do NuMI-EcoSol, como no estabelecimento de redes de cooperação e comercialização.